O problema Millennial

09:28



"Os jovens de hoje não querem saber de trabalhar, de sair da casa dos pais, de casar, de assumir responsabilidades."


Essa frase ou variações da mesma são frequentemente ouvidas quando se falam dos "jovens de hoje".

Esse texto é um exercício de retórica em uma situação hipotética de confrontação entre uma pessoa de geração antiga (baby boomer e X) e um millennial (geração Y e Z), fornecendo argumentos para este último.

Esse texto não reflete as opiniões do autor (não completamente).

Talvez eu faça um texto resposta no futuro.
Surian Soosay - James Bond Jr’s New Job in IT


Os millennials são preguiçosos


Se pedirem a descrição de um millennial, terá como resposta algo como:

"Eles não sabem fazer nada; possuem problemas de comunicação e etiqueta; são narcisistas, alienados e antipáticos."

É claro que eles são assim, mas veja bem, eles são jovens.

Essas características são comuns aos jovens de todas as gerações passadas.

Somente as experiências de vida irão ensiná-los a serem de outra forma, a desenvolverem a própria personalidade.

Não seria justo atribuir essas características exclusivamente para com os millennials.

Esses mesmos jovens são vistos como se não quisessem trabalhar.

Mas olha só que coisa: o atributo mais procurado em um candidato a emprego é a experiência profissional. Como um recém graduado vai conseguir um emprego? Lembre-se que estágio não conta como experiência na "carteira de trabalho" (sic).

Em outras palavras, o mercado de trabalho não quer um jovem entusiasmado, ele quer um empregado experiente com aparência de jovem.

As características que o descrevem como jovens é o que faz com que perca oportunidades (quando há).

Na tua idade, no meu tempo, eu trabalhava em X (insira um emprego qualquer aqui).

Mas sabe de uma coisa? Você tinha de trabalhar para ajudar a sustentar a família, muito maior no "seu tempo", e provavelmente você "tinha" de fazer isso, como obrigação.

Veja só, uma pessoa na idade média também tinha de trabalhar desde criança/adolescente/jovem adulto para ajudar a família.

É uma comparação extrema mas serve para provar um ponto: Os tempos são outros, o mundo de hoje é diferente de quando você era jovem.
Surian Soosay - More than this

Mas se quiser trabalhar em "insira qualquer subemprego aqui" você consegue.

É claro que se ele quiser ele consegue, por isso é chamado de subemprego.

A diferença é que ele não "precisa" se submeter a esse tipo de trabalho pois possui a consciência de que o que ganhar em termos financeiros não será suficiente para realizar nenhuma das suas aspirações consumistas ou profissionais, portanto prefere não o fazer.

Os que trabalham em tais empregos o fazem por necessidade ou pressão social.

O que me lembra a teoria motivacional da expectância de Vroom.

Vroom defende que a força motivacional de determinada pessoa corresponde ao produto da probabilidade de alcançar um objetivo com valor atribuído a esse objetivo.

Em outras palavras, baseia-se em que o esforço realizado para conseguir um alto desempenho deve ser recompensado com resultados que façam com que o esforço realizado tenha valido a pena.

Essa teoria explica perfeitamente o frequente estado de inércia dos jovens quanto ao interesse por subempregos, somando-se ao fato dos níveis de empregabilidade estarem baixos decorrentes da situação econômica do país.

Surian Soosay - Ignorance is Bless


Os millennials são irresponsáveis. Não querem sair da casa dos pais, casar, assumir responsabilidades.

Claro, quem em são consciência iria querer adquirir os problemas que é ter de se virar sozinho em pleno século XXI, onde os empregos são incertos, e as perspectivas para o futuro são desanimadoras?

Além disso, os millennials foram criados no conforto, mimados por assim dizer. 

Por outra ótica, os millennials se encontram nessa situação justamente pela incompetência da geração anterior. 

Quem foi passivo com a corrupção no passado? Quem elegeu os governantes que se perpetuaram no poder? Quem foi conservador ao extremo, a ponto de não fazer nada contra as discriminações? Quem se beneficia com o mercado de trabalho que valoriza quem possui mais "tempo de casa?"

A situação do mundo não está nada bonita.

Desemprego em massa. Instabilidade política e econômica. Guerras, refugiados e atentados terroristas.

Responsabilidade. Que tal as gerações passadas admitirem que criaram essa situação de m***a para os seus descendentes motivados por nada menos que ganância?

Talvez aí sim os "millennials preguiçosos" possam conseguir empregos, se mudar, casar, e educar seus filhos a serem cidadãos da forma competente como não foram ensinados a serem pelo exemplo.

Isso sem contar nas gravidezes indesejáveis muito comuns à geração passada, obrigando jovens a terem uma criança sem o mínimo de preparo, educação decente, sujeitando-os a situações financeiras complicadas, divórcios e criação de uma criança em ambiente nada adequado, em uma família desajustada.

Os millennials estão bem mais conscientes quanto à educação sexual, planejamento familiar, e das consequências pessoais de ter filhos.


Os millennials são egoístas.


Os millennials estão mudando ao mundo, mas não de uma maneira que a geração anterior veja com bons olhos.

As desigualdades e preconceitos das instituições tradicionais os empurrou rumo ao niilismo no sentido de rejeição radical às leis e instituições formais.

Os millennials são responsáveis pelos movimentos em busca de igualdade de gênero, mais tolerância com o próximo, preocupação com um futuro sustentável, cultivo de relacionamento saudáveis, preocupação com o bem-estar pessoal, com a saúde e com o lazer.

Essa geração não parece ser tão egoísta assim, quando observadas as causas pelas quais lutam.

Pelo menos ainda possuem esperança de um mundo melhor no futuro.

Surian Soosay - Lady with Bigger Mohawk

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