O que somos: A Existência feita por nossas escolhas

22:00

Trabalhamos para nos alimentar; nos alimentamos para viver; vivemos para trabalhar. Felizmente a vida não é tão simples assim.

Possuímos um controle muito maior do que imaginamos sobre a nossa realidade individual. O campo das ideias e das emoções está sobre o nosso controle.


Existencialismo

De acordo com o existencialismo a vida não tem sentido e por essa razão é um absurdo.

É um absurdo pois sofrermos a angústia de não sabermos a resposta da pergunta mais fundamental: "de onde viemos? para onde iremos?". Sentimo-nos perdidos, desnorteados. Por saber que nossa existência é finita, e que o que fazemos não impacta em nada a existência do que conhecemos (Terra, Galáxia, Universo) nos desesperamos.

O Mito de Sísifo

Existe um mito, o mito de sísifo, que conta a estória de um personagem da mitologia grega condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra da base de uma montanha até o topo, sendo que, toda vez que estava quase no cume, fraquejava e deixava a pedra rolar montanha abaixo, recomeçando toda a tarefa.

Essa é a metáfora para a nossa vida. Trabalhamos 8 horas, mais de 1/3 do nosso dia se considerarmos também o tempo de deslocamento. A cada dia recomeçamos a mesma tarefa. Não temos escolha. Será?

Sartre

Curiosamente, ficamos presos a identidades que se consolidam com o tempo, perdendo a capacidade do pensamento aberto, de novas experiências. 

Não farei isso pois eu não sou, ou melhor, nunca fui assim, não é agora que vou mudar. Não posso mudar. Não consigo.

É mesmo?

A existência precede a essência é um conceito fundamental do existencialismo. O indivíduo primeiro existe, e depois busca e define a sua essência, pois não a possuindo anteriormente, só pode vir a adquiri-la.

De acordo com Sartre, estamos condenados ser livres a criar um sentido para nossa vida, pois ela inerentemente não o tem.

Podemos escolher se ficamos zangados com as outras pessoas. Podemos escolher se gostamos de algo, ou não; se queremos algo, ou não; se experienciarmos determinada sensação, ou não; se queremos uma pessoa em nossa vida, ou não.

Essa liberdade é assustadora. Como disse Alan Moore, "A maior parte das pessoas parece horrorizada com a a possibilidade de possuírem uma alma, e com a responsabilidade de mantê-la pura".

Colocamos a culpa de tudo nos outros. Acreditamos que "somos" uma identidade imutável, sujeitas as sanções da sociedade caso infringirmos sua moral. Permanecemos os mesmos, enraizados em nossas crenças e convicções.

Sartre, pelo contrário, percebia a possibilidade de contínua mudança e exprimiu em uma frase famosa: "Ao tomar uma decisão, percebo com angústia que nada me impede de voltar atrás. Minha liberdade é o único fundamento dos valores".

Com essa compreensão, conclui com outra fase célebre o seu pensamento "O importante não é o que fazemos de nós, mas o que nós fazemos com o que fazem de nós."


"Percebendo e aceitando o absurdo, temos a liberdade de viver apaixonadamente as experiências que escolhermos."

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